Novembro 03, 2009
vertigem voltagem veia
que nos distraem de citações
e a vida sem ecrã ali mesmo em torno de nós
a querer-se mais clara mais rara
num copo de café de cartão
pedido em repetição, sem pronúncia
há palavras nas horas tardias da memória
talvez como origem ou corpo indizível da cidade
como homens esculpidos
de fragmentos célebres
sem descanso, rua acima ruína abaixo
avanço, avanço
que falam dos grandes sismos rios artefactos
que fazem de recônditos buracos da glória
à espreita, céleres ciclos de ficção
à espera do espanto, à deriva
entre a Ku’damm e o Zoologischer Garten
todas as vias são virís emoções desenhadas a vento
suspeitas aberturas, cicatrizes virtuais de epidermes concretas
tocando levemente o entardecer sem abençoar quem passa
há cidades que passam as mãos nas palavras
talhadas noite adentro, imprevisíveis
músculos inchados, o termo exacto seria
num detalhe a abstração vital, o metro entre nós
eclipsando o livro
ameaçando não nos largar mais
por vezes delicados labirintos de sangue
outras, velozes decibéis de êxtase
aqui uma rua sem poeira
ali um suspiro de humanidade reunindo dos despejos
narrativas e garrafas com depósito
vi-me pensar tudo isto e as tílias
caíam lúcidas douradas algumas cobre
em Unter den Linden
não sei por isso se podemos dizer
Berlim de imediato pelo intervalo
do instante da história ou do instinto
no eixo do desejo
se um dia a noite continua a cair
no paradoxo da promessa
Outubro 27, 2009
Outubro 22, 2009
elipse
há quem faça a mala a todo o instante
de fugida, à sua maneira enrodilhada
em cama fingida já feita
num oito, é a vida
em parte incerta, há quem
não faça ideia de como fazê-la
bem cedo pela manhã compacta
engasgado com itinerários
de braguilha
há a quem a vida corra e faça ainda assim
beicinho por ser tarde, mais um dia
e pelo fecho que não corre
por não caber, nem à força, mais um pouco
de corpo a corpo, à mão um excitante
para fazer da viagem tempestade
em copo de água vertida sobre
roupas e metáforas
e outras coisas que cheguem
previamente dobradas com cerimónia:
um poema suspenso, sem fazer sentido
entre a lucidez e o voo do fluído
que faz pontaria ao lado do passaporte
e das chicletes para descomprimir ouvidos
há, como eu, alguém vigilante
e viajante, que antes
do embarque fecha os olhos
fazendo da vida
um broche até ao fim
do mundo
e de resto, mesmo fazendo escala
em todos os suspiros
e mudando de cama com alguma frequência
não sei ao certo se faço pela vida
se pelo contrário a ele me faço
novamente
como quem faz de conta
que roda em deriva
carregado
satisfeito
Outubro 12, 2009
new fashioned wo-man

Setembro 29, 2009
mais de um – homem
P
Setembro 20, 2009
metonímias
...
P
Massive Attack feat. Martina Topley-Bird, "Psyche". Splitting the Atom (EP), 2009
o fundo que se retrai, que se ex-
a psyche de histórias e vagas à deriva,
essa erosão do reenvio
que nos confunde como o lapso (-- ) sim,
num só nome,
morte fictícia de interditos paralelos
quando a boca tomba para a abertura
de onde não se sai só
porque está aberta
imaginem o ruído guardado do lado dos ossos
loucos de sombra
fracturada,
deslizando na direcção, na anatomia
da morte de circos imprevisíveis,
de quedas, plágios e enigmas avançando
lentamente por células adentro,
permeáveis, consumidas órbitas
de mãos dadas
Setembro 13, 2009
Julho 27, 2009
lost words (slow)
[um encontro de excepção, em explosão - Coimbra, Londres, as Américas reinventadas, a crueza das palavras incendiadas pela voz doce e lasciva de Tracy Vandal, a candura exótica de um raro e assombroso universo musical e as suas viciantes per-versões]
...
...........................Child of the Moon, 2009
Julho 25, 2009
tudo isto é simples
risonho auspício rosé
de boca em boca a fazer-se
noite húmida em Montréal
no interior dos músculos
cada um fita
paisagens para adultos à beira
rio ao longe
corpos de água doce mordem
outros gestos de climax e alteridade
transpiram palavras como
arquitectura e fluidez
quando se entra na ponta
da língua, bela cicatriz a decorar
ruínas em cena
no rasgo da graça
da matéria
anunciando what a smile
e porém alguém pensou nos ruídos dos incêndios
na eternidade de alguns adjectivos
sem as ontológicas questões, a arte
nos hospícios repletos
de bandos que riem tanto quanto suam
em noites de verão
e pronunciam
thanatos, porno blues, quartier latin
pela zona da cintura
em intenções de madrugada
rio
ao fundo
encena-se o adeus
sem ente
na língua dele
faz-se noite, é
bom suar
Julho 16, 2009
talvez um homem
talvez julho
de palavras raras
e um ardor de história
de ADN
posto a escorrer
em nota mínima de rodapé
talvez um pássaro
lento oceano de rútilos espelhos
talvez o excesso
de cor de
corais
no começo da frase
cedendo
à ponta dos dedos
acelerando membros
à velocidade da água
inundando retinas
e tantos outros embarcadiços artifícios
talvez sem fim
o fulgor de combates
de areia
a querer dizer-te cálido por dentro
por entre pálpebras siderais e esponjas de marés
talvez tentar por fim a vertigem
das folhagens sobre a nuca,
a febre de sal de sabor a sexo
e outros manuscritos,
a vibração dos insectos
contornando o silêncio
rematando o poema
ao longe
de corpo
tocado no olho
do desejo
talvez quase sem ferir
Julho 09, 2009
por vocação
olhou
roliça a mulher da fruta
a quem é costume
comprar promessas de pomar
e palavras maduras com caroço
nunca tal houvera
visto bater assim no ceguinho que
costuma vender num desvão
da rua direita na rua
bolas de naftalina e de berlim
sim coitado o sr. Adão
vejam lá enfim
por ter respondido torto
à dona da pastelaria “Cantinho do Céu”
essa víbora
que Deus nos livre
(Adão e Eva, uma maçã
os três com larvas lá dentro –
não vejo a importância de
trazer à história mais uma serpente
mais um diminutivo
quando sabe tão bem
morder
a língua
à primeira
tentação
à primeira
dentada)
Julho 06, 2009
Julho 03, 2009
em que ficamos?
nunca
na história
da literatura
foram tantas
casas de
banho
públicas
molestadas por
tão poucos
atentados
masculinos ao
pudor
nunca
em casa
de púdicas
histórias de
família foram
tão poucos
homens
secretos
tentandos a
foder
por amor
Junho 27, 2009
não era trolha nem poeta, mas
em alturas como esta
excitavam-no versos de andaime
caiados a branco
ó musa, dás-me tusa
ó doce, era onde fosse
Junho 22, 2009
L. A.
Laurie Anderson ou a quase transcendentalidade
P
[vídeo de Steven Lippman para o ábum Life on a String de Laurie Anderson (2001)]
Junho 21, 2009
a cada manhã
o corpo ímpar
pronuncia-se na sombra
ávido de sismos
quando a língua
esquece
a lucidez
aquece
palavras de febre
e civilização
a cada manhã
trabalhar um poema
excita-me
a nudez de ombro
literário
a cada manhã
interesso-me pela vida
dos grandes desvios
que me acenam
em itálico
tentações quotidianas
à noite sucumbo
ao retorno
das vértebras
em delírio
à noite
a língua
lembra-se de tudo
à distância
à noite
paga-se mais caro
Junho 18, 2009
sobressalto
por não saber senão
escrever torto
e gostar tanto de saltos
para a água
acordei algo molhado
e duro, de prever,
com um obsceno torcicolo
contuso dou contudo
um novo pulo até ao rio,
uns versos de Celan, em reverso,
fitando o Sena
e o risco, direitinho,
de saltar-lhe para o colo.
Junho 16, 2009
enca(n)deado
[íntimo fim de tarde, em direcção ao sol nascente,
I wish you were here
pppppppppppppTakeshi Kitano, Dolls (2002)
Junho 14, 2009
neste elíptico vaivém
vem em roda livre
falha lenta
quem quer que chegue
como quem vai,
para voltar, embora
(enquanto a vida devolve errónea
um verso que na gíria chega pronto a foder-me,
assim sem cerimónia)
se demoras venho-me não tarda
por dentro longamente
em jactos desmedidos de agora
adiados nos desvios
daquilo que afinal aflui e a-parece
só por fora
só por fora
deixa-me
deixa-me dizer-te que não
enquanto dormes
sim que é talvez chegada a vez
a fim de acelerarmos este passo
que não passo extenuado de sonâmbulo
que não foste nunca manhã alguma
nem tão-pouco um preâmbulo
à altura de embalar-me
na minha cama de quem passa
onde agora se fez véspera
e amanheci a descoberto
com capricho e pés de fora.
amanhã já tão tarde
de novo ou de engano
dir-me-ás que a luz te incendeia
sem conceder embalar restos
sem sequer arredar pé
descalçando o estorvo
e depois desta uma outra vez
que isto passa assim quase encoberto
a pretexto
que me és fiel por tudo
e quase nada
como se nada fosse,
que tenho pés bonitos, pois
que isto está cheio de tantos outros dias
repousando em desculpas bestiais
para andar
(na embalagem do elogio ou
no embalo do cansaço
não tive tempo de dizer-te
mesmo morando ao relento toda a noite, pouco importa
que afinal tu não me aqueces
nem tão-pouco arrefeces,
quase nada
assim tanto)
Junho 09, 2009
não gosto de escrever tanto
em cafés
ao invés de alguns putativos poetas
não consinto no fundo que possa
ser profícuo para o estro
que desejos pedidos e pedidos feitos
sejam por lá comummente
entregues de bandeja
gosto de escrever sobretudo
e é bem verdade
em salas de espera
de consultórios de dentista
cheira por lá perenemente ao prenúncio
de que se vai ficar por instantes
irremediavelmente assim
de boca aberta
(viver a vez sem carecer
de prótese de escrita seria pois
o único rogo digno de bandeja
ou então poemar por ano não mais
que duas vezes
como quem agenda destartarizar dentes
sensivelmente
de seis em seis meses)
Junho 07, 2009
recado
então dei-me conta, Bénédicte
palavra
sem pouco ou nada dar
nas vistas ou ao pé
como convém, a acrescentar
que eu mesmo me entreguei ao luxo
de dar à língua
uma e outra volta
e assim dar azo a mordê-la
por não saber de resto
por mais vazio que reste
contar de novo todo um recado
(que o café arrefece
que perdi por pouco
que estás enganada
que bem!)
agora é a minha vez de dizer
o poema todo desengonçado
sem o dar de volta
assim de novo
de mão beijada
com nó dado sem piedade, paciência, mas
duro em todo o rigor
mesmo que acabe por lembrar-me, até ver
que isto vai doer ou não
vai dar que falar, até tarde
que tudo isto não vai dar
afinal em quase nada
Junho 06, 2009
Junho 03, 2009
Picture theory II
Picture theory I
Maio 31, 2009
uma coisa leva à outra
«Não limpes a lata de leite
condensado com o dedo,
mais vale lamber o resto
com a língua que te resta.
A língua quer-se bífida
e dedo cortado não é digno de aliança»,
disse Narciso a Eco à mesa da cozinha
fitando a toalha de plástico
de estampa mapa mundi.
«Agora deixaste cair
umas pingas sobre a América.
Não achas que já estragaste tudo?»,
e Eco respondeu, condensando:
«tudo».
É preciso ter lata,
gostar tanto assim de alguém
sem doce, corte ou anel
no embaraço.
Mas também houve um pai mundano
que amava o filho Jesus
e teve de ouvir todos os dias
à mesa
«sou filho de outro».
Maio 30, 2009
my own private
supus que River Phoenix me disse
veloz que eu era vadio
de viva voz que eu era bonito
a caminho de Idaho
mas ele morreu e tu continuas aqui.
Palpitação
For P.
contam mais de mil batidas
por instante
cada pack de corações
que comprei
no mercado negro matutino
de um remoto quarteirão
com séries de vermelhos rendidos
e artérias limpas
em irrecusável promoção
e que diligentemente arrumei
na primeira prateleira da despensa,
posta de reserva para suspiros,
pequenos dramas, filtros para o café,
coadores do dia-a-dia,
e outras alojadas per-
versões
no caso de quereres voltar
a arrumá-los a teu gosto
e se pelo sol e por acaso
estiveres prestes a romper
com ou sem sentido oco
num dizer de sopro húmido,
eu mesmo posso vir a tirá-los da estante
e a sofrê-los
prometendo à oferta de um novo contrabando
os meus corações de desconto e emitação
porque a cada latejo I swear this is true
que tu
que tu, tu deste hálito ao sangue
dentro de uma caixa numa estante
que corre só
so and swiftly through
Maio 25, 2009
Maio 24, 2009
a.m.
comes palavras em jeito de break
fast de domingo suposto
de descanso e oração
num duo de doce no dedo
iogurtes light
batidos argumentos
e flakes para a digestão
com um rapaz loiro de condomínio fechado
de quem não sabes
a big deal
lembras-te de ter confessado
não gostar de blowjobs
sob o medo da subserviência
ou apenas no sobressalto de dizer
broche mesmo
sabendo que sabe bem
a poder mais do que a hóstia
de boca ávida posta na jóia
lembras-te de te dar
um outro gosto de língua,
de te trincar a orelha
a pedir «fuck me»
no gesto e à vez
se bem que estivesses já
a fazê-lo
no justo instante
em português
Maio 16, 2009
good stuff
(un)holy matrimony

Maio 14, 2009
N'a Zona (de cá e de Cannes)

Maio 13, 2009
Parémia
Em dia treze
da senhora
e dos prodígios,
certas putas
da noite
da minha terra
também fazem
milagres.
Noites de pecado
não são dias
sempre que
urros devassos
chegam aos céus.
Maio 12, 2009
Jessye Norman – retrato de uma esfinge
... Schöner gibts nicht ...
Maio 11, 2009
Adília Lopes
ou a barroca pop
-------------------------------------------------------------------------Markus Färber
coisa entre moléculas
é claro que o cu
tem a ver com as cuecas
Apesar de ter abandonado, por conselho médico, o curso de Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o diagnóstico de uma psicose esquizo-afectiva – doença sobre a qual sempre falou abertamente quer na sua poesia, quer nas suas polémicas aparições mediáticas – não foi impeditivo de uma aposta na progressão da sua formação académica: em 1988 licencia-se em Literatura e Linguística Portuguesa e Francesa (1983-1988) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e, após ter sido bolseira do Instituto Nacional de Investigação Científica (1989-1992), especializa-se em Ciências Documentais, pela mesma faculdade (1995).
Fazendo justiça a um transbordante tom humorístico e sarcástico, disfarçado de uma quase ingenuidade romântica, que tanto caracteriza o seu trabalho literário (malabarismo que chega não poucas vezes a roçar o grotesco, o corrosivo e o perverso), a especialista na arte de desconcertar, Adília Lopes, reclamou uma vez, a par dos cognomes “tímida desenrascada”, “cristã triste” e “freira poetisa barroca”, o estatuto de “poetisa pop”. Com efeito, os empréstimos ao ludismo e ao absurdo de uma poesia a que facilmente se tenderia a alcunhar de sádica e indigna, sobretudo pelo modo singular com que ironias radicais se projectam em processo autobiográfico (“Com os remédios/ engordo 30kg/ o carteiro pergunta-me/ para quando/ é o menino”, Sete rios entre campos, 1999), chegaram a acusar uma calorosa mas também trocista recepção, que, por momentos, alimentaram os epítetos. E se é verdade que a obra de Adília Lopes se situa na linha de risco de uma certa estética da banalidade – desafio confessado desde logo no título do seu primeiro livro, Um jogo bastante perigoso (1985) –, que assume a valorização do Kitsch e da iconoclastia enquanto efeito de suspensão do poético à beira do prosaico, do concreto singular, do episódico, do incompleto e do imperfeito, esta será certamente mais complexa do que alguma vez tais classificações poderão insinuar e permitir. Em Adília Lopes, a poesia parece expor-se a uma ambígua menoridade e à contaminação, aí onde o trabalho poético desmonta subversivamente no discurso o que é ou não é aceitável, desejável ou não desejável, resgatando para uma suposta singeleza e harmonia formal o pequeno, o frágil, o defeituoso e o sujo (“A limpeza/ pode ser/ pior/ que a porcaria/ A ordem/ pode ser/ a maior/ desordem”, César a César, 2003). Entre a bondade e a crueldade com que fios temáticos como o misticismo da domesticidade, a violência das relações quotidianas são abordados (e a confissão do sofrimento psíquico, social e sexual não deixa de reivindicar uma nova concepção de mundo, de amor e de corpo), sem esquecer uma heterodoxa aproximação ao cristianismo, sempre associado ao erotismo, respira-se afinal nesta poesia, através de um inescapável tom de melopeia popular, que faz uso do provérbio, do aforismo, da anedota ou até mesmo do slogan publicitário, em encontrões paródicos e paradoxais, o fôlego das citações da grande literatura. Trata-se pois de uma poesia inteligente e erudita, apenas aparentemente ingénua, rica em jogos hermenêuticos, inspirada pela tradição literária culta, de onde espreitam, a título de exemplo, Rimbaud ou Appolinaire, Sophia de Mello Breyner Andresen e Sylvia Plath, postos num sedutor diálogo polifónico.
Obra: Um jogo bastante perigoso, Lisboa, ed. de autor, 1985; A pão e água de colónia (seguido de uma autobiografia sumária), Lisboa, Frenesi, 1987; O Marquês de Chamilly –Kabale und Liebe, Lisboa, Hiena, 1987; O decote da Dama de Espadas, Lisboa, Gota de Água/ Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1988; Os 5 livros de versos salvaram o tio, Lisboa, ed. de autor, 1991; O peixe na água, Lisboa, & etc., 1993; A continuação do fim do mundo, Lisboa, & etc., 1995; A Bela Acordada, Lisboa, Ed. Mariposa Azul, 1997; Clube da poetisa morta, Lisboa, Black Sun Editores, 1997; O poeta de Pondichéry seguido de Maria Cristina Martins, Braga/Coimbra, Angelus Novus, 1998; Sete rios entre campos, Lisboa, & etc., 1999; Florbela Espanca espanca, Lisboa, Black Sun Editores, 1999; Irmã Barata, Irmã Batata, Braga/Coimbra, Angelus Novus, 2000; A obra, Lisboa, Ed. Mariposa Azul, 2000; A mulher-a-dias, Lisboa, & etc., 2002; César a César, Lisboa, & etc., 2003; Poemas novos, Lisboa, etc., 2004; Le Vitrail la Nuit/ A Árvore cortada, Lisboa, etc., 2006; Caderno, Lisboa, etc., 2007.
Maio 06, 2009
data
Em contraciclo de data mínima
ampliada por dias rasos em cem laços de dormir
e tantas outras vezes antes de sonhar vir
a pôr em dia
corpos e créditos contraídos
de síntaxe e coisas de partir.
De perto resta ainda o intervalo
de um dia levado
na corrida de passos à deriva,
cerimonial em moldura branca ou sombra louca
inoportuna, posta
sem mais ais sobre
a cabeça chegada de fugida.
De resto, o tropo arredado chega-se à linha
de corpo ao alto vertido
em copo cheio,
secura de logro que se avizinha
no deslize e na suspeita
de dias como hoje à espreita.
Maio 02, 2009
------------------------Hedi Slimane, Diaries (Tokyo, July 2008)
Clímax de ecrã. memória híbrida. e dentro e fora. e o sonho remoído enquanto a ruína se olha com a intensidade de quem reflecte segredos de colisão.
Maio 01, 2009
trick
Abril 28, 2009
vinco
Abril 27, 2009
ecos de vertigem
Abril 24, 2009
D(e)ying wor(l)ds
version or night insistent
blind light spliced between
tympanum preceding
................... jagged incantation
and it’s tricky now
to move from resting territories
to exact nothing
while texture footnotes wide enough
diffracting
the sight of slight insides shifting
when arched dreams push
unravelled colours like so many
hands full of shoulders
and how many accidents since i
half-away profession
exit sign bent at each
dyeing imperative matter
thought
lavish veil tricks in the vein of reversed veins
& i wake digging in
cobalt vertigo
uncountable skins seducing outside
dreams double-
blind turns for reason to hope
in our old dignity, dust
such to link
ink refusing wall
Ellipse capitalized
less than zero and
here it is .............. resting pun
a cornucopia of evasions
through nameless errors and
this is how
each world, split
in chance here
mere juxtaposition of borders
confounding trembling desire inside
Abril 22, 2009
Mr. Crawfish
Stripped and cleaned before your eyes...»
Não admira que Miuccia P. e Pilooski Edit tenham eleito este sound bite de King Creole (1958) mote de assombrosas tentações viscerais.
Abril 21, 2009
VB
Abril 19, 2009
Atravessar – Montréal
Abril 18, 2009
Schrift und Bild I
---León Ferrari. Planet. 1979. Stainless steel, 51" (129.5 cm) diam.
---Mira Schendel. Untitled from the series Graphic Objects. 1972Espasmo I
(...)excess tastes
-------------------suddenly
a break being
force-fed*
________________________
*N.T.: aí onde parece falhar o como
se a perversão domestica o travessão___agora
mal textura invertida
sob a pele
de nós e-
feito de aspas em intervalo de dias
de hoje inadiável
a partir [de]__________________tudo concentrar
longe metonímia digna deste nome
vinda pequena morte vertical
(ritual: passar a branco I
run the risk)
por todo o lado
onde
recomeçar---** nothing is
inscribed,
__________let’s feed deviation






